quinta-feira, 5 de março de 2015

Vai lá vê a Confeitaria Cavé


Pense rápido, qual a confeitaria mais antiga do Rio de janeiro?
Pode ter passado pela sua cabeça a suntuosa confeitaria Colombo, porem o título de mais antiga vai para a confeitaria Cavé.
Criada apenas 6 meses após a Proclamação da Republica em 1890, por um imigrante Francês chamado Auguste Charles Felix Cavé, a antiga confeitaria ficava em um edifício destacado pela sua arquitetura na Rua Sete de Setembro 133 esquina com a Rua Uruguaiana . Lustres, vitrais e vidros vieram da frança, mesas e cadeiras foram projetadas pelo espanhol radicado no Brasil Colón e a luminárias brasileiras. Cavé ficou à frente do negócio até 1922 e de lá pra cá, vários outros proprietários assumiram o negócio.
Pertinho da Casa Cavé existia uma confeitaria chamada Lalet que ficou aberta até a dona também francesa vir a falecer. E como a criatividade do povo brasileiro é incomparável logo surgiu o jogo de palavras: “Quem vem de lá lê: quem vem de cá vê”, uma brincadeira com o nome das duas confeitarias famosas da época. E por falar em famoso, foram muitas as personagens famosas que freqüentaram a casa Cavé. O primeiro presidente do Brasil Marechal Deodoro da Fonseca, Nair de Tefé, Barão do Rio Branco, Olavo Bilac, Ruy Barbosa, Pereira Passos, entre outros.
Hoje a confeitaria encontra-se pertinho do antigo endereço, na Rua Sete de Setembro 137, pois com a criação do projeto Corredor Cultural nos anos 80, a conservação do seu patrimônio arquitetônico tornou-se um problema para os atuais proprietários.
Rua Sete de Setembro 137

Deu fome? Quer provar um dos melhores pastéis de Belém do Rio? VAI LÁ VÊ

Texto publicado em 4 de julho de 2012 no Grupo Rio Antigo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Visite São Gonçalo e caia num buraco


Assim que me mudei para São Gonçalo notei que muitos carros usavam um adesivo que dizia: “Visite São Gonçalo e caia num buraco”, fazendo alusão aos adesivos utilizados também pela cidade vizinha Niterói que citavam quanto era difícil dirigir na cidade sem ser multado. Como andava de ônibus naquela época não me irritava tanto, mas vira e mexe acordava assustado nas minhas viagens de volta para casa depois de um dia de labuta quando começava a voar da poltrona como se tivesse galopando um cavalo xucro até ficar com a bunda doendo. Fiz umas economias e finalmente pude comprar um caidinho. Ai foi um inferno, a orelha da prefeita deve ter ficado roxa de tanto que eu falava quando caia num buraco. Olha que não eram poucos buracos não. Pensava comigo mesmo, tenho que comprar uma PICK-UP, só desse jeito podemos andar motorizados em São Gonçalo.

É uma pena que a cidade que sediou a segunda corrida oficial automobilística do Brasil (Circuito São Gonçalo), que deveria ser um exemplo em pistas asfaltadas no Brasil, esteja tão atrasada em matéria de asfaltamento.


Circuito São Gonçalo

Surpreso? Sim em 1909, um ano depois da fundação do Automóvel Club do Brasil, com pouco tempo de emancipação, São Gonçalo recebeu o segundo evento desse porte numa época que poucas pessoas possuíam carro.

O percurso total tinha 72 quilômetros de extensão, ida e volta, margeando a linha férrea. A largada foi dada em Neves, de onde os competidores iam até a Fazenda do Engenho Novo, em Monte Formoso, e depois retornavam à origem.

Era uma novidade não só no Rio de Janeiro, então Capital Federal, mas no país. O evento foi um grande sucesso, e contou com a presença de ilustres convidados, entre políticos e pessoas da alta sociedade. Muito badalado, o evento, foi o primeiro da América Latina a ser transmitido por telégrafo para outro país, pelo francês Lucien Lousson, repórter do jornal L’Auto de Paris.

O grande vencedor da corrida do Circuito de São Gonçalo foi Gastão de Almeida, pilotando um modelo Berliet, fabricado em 1908.
Gastão de Almeida em seu possante

Espero que chegue o dia em que não gaste uma fortuna com troca da suspensão do carro. Sim, claro que nossas pistas melhoraram comparadas com a época que pousei nessa cidade, mas com certeza absoluta precisamos melhorar ainda mais.

Texto publicado em 11 de junho de 2012 no Grupo Rio Antigo.

Uma História de Amor



Não encontramos histórias de amor apenas folheando romances e assistindo novela, elas acontecem também na vida real e às vezes tão linda que tornariam facilmente um best seller.

Demócrito Lartigau Seabra, filho de uma importante família de comerciantes queria presentear a sua amada Maria José com a mais bela casa do Rio de janeiro. Contratou, para desenvolver o projeto, um arquiteto francês e, da mesma forma, mandou vir da Europa todas as peças de acabamento, como “parquets”, vitrôs, portais etc. e as de decoração, como tapetes, quadros, prataria etc.

Datado de 1920, hoje de posse do educador e antiquário Carlos Alberto Serpa deste 2002. Deu o nome da mãe ao palacete, Julieta de Serpa. Nenhum outro nome soaria melhor a um palacete fruto de um amor “Shakespeareano”.

Depois da morte de Maria José, em 1989, com 95 anos – o marido já havia morrido em 1932 – só o filho mais velho, Carlos Alberto, ficou morando no palacete. Com a sua morte, em 2001, o palacete foi vendido para uma firma que queria demoli-lo para construir no local um prédio. Não conseguiu porque a casa havia sido tombada, em 1997, pelo Departamento Geral do Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.

Se você não pode mostrar o seu amor construindo um palacete para sua amada, faça sua história de amor mais modesta e tão linda quanto a do casal Demócrito e Maria josé. Quem sabe um jantar romântico no próprio restaurante Blason localizado no interior do palacete. O palacete fica na Praia do Flamengo número 340.
Texto publicado em 5 de julho de 2014 no Blog do Vovozinho.

Feliz aniversário Princesinha do Mar !!!

Capela Nossa Senhora de Copacabana - Onde hoje esta o forte de Copacabana
Quem é o carioca que não se orgulha de Copacabana? Pois é, a nossa princesinha do mar esta fazendo aniversário neste dia 06/07. Você pode estar se perguntando, como pode uma praia que esta ali desde que o mundo é mundo comemorar 120 aninhos? Na verdade Copacabana tem um mundão de aninhos, mas a comemoração esta relacionada à inauguração provisória do Túnel da Real Grandeza, atual Túnel Velho que liga Botafogo a Copacabana pela Rua Siqueira campos. Aquele 6 de julho de 1892 ficou marcado na história do Rio de Janeiro como o nascimento do bairro de Copacabana, estava presente o naquela época Presidente da Republica Marechal Floriano Peixoto. Assim através de um simples buraco em uma rocha Copacabana se tornou acessível para todos nós cariocas.
Tunel Velho em 1892
Mas a nossa paixão por Copacabana vem antes de tudo isso acontecer. Deve-se simplesmente a duas baleias que encalharam naquela região despertando a curiosidade de D. Pedro II. Então o imperador e sua comitiva rumaram para vê-las. Os mais ricos seguiam de coches, puxados a cavalo, e levavam um grande farnel barracas para se acomodarem. Outros iam a cavalo, ou mesmo a pé. As baleias não estavam mais lá, apesar disso, quem ficou na praia divertiu-se muito, num piquenique que durou três dias e três noites.
Praia de Copacabana em 1892
Ali nascia a paixão do povo carioca por aquela praia que antes era chamada de Sacopenapã, em tupi o caminho das socós. E só depois se tornou Copacabana. Existem várias hipóteses etimológicas para o nome, mas gosto mesmo daquela que o termo é originário de língua aimará falado na Bolívia, significa “vista do lago” (kota kahuana).
Mas como um bairro aqui no rio tem haver com isso?
Vamos lá, Na Bolívia, Copacabana é o nome dado a uma cidade situada às margens do Lago Titicaca, fundada sobre um antigo local de culto inca. Existem relatos de que, nesse local, antes da chegada dos colonizadores espanhóis, ocorria o culto a uma divindade chamada Kopakawana, que protegeria o casamento e a fertilidade das mulheres. Após a chegada dos espanhóis à região, Nossa Senhora teria aparecido no local para Francisco Tito Yupanqui, um jovem pescador, que, em sua homenagem, teria esculpido uma imagem da santa que ficou conhecida como Nossa Senhora de Copacabana: a Virgem vestida de dourado pousada sobre uma meia-lua. No século XVII, comerciantes bolivianos e peruanos de prata (chamados na época de "peruleiros") trouxeram uma réplica dessa imagem aqui para nossa praia e foi construída uma pequena capela onde hoje é o posto 6. Essa capela foi posteriormente destruída para abrigar o atual Forte de Copacabana.

Antes de encerrar a postagem não poderia deixar de dizer que foi em Copacabana que nasceu a nossa querida Bossa Nova e assim como música finalizo minha humilde postagem com genialidade de Tom Jobim. Porem existem controvérsias sobre a autoria da musica e alguns historiadores atribuem a autoria à João de Barro em parceria com Alberto Ribeiro*. Se essa maravilha saiu da cabeça de Tom Jobim, João de Barro ou Alberto Ribeiro eu não sei, mas caminho no seus versos como se estivesse naquele o calçadão de pedra portuguesa sentindo a brisa beijar o rosto.   

Copacabana
Existem praias tão lindas cheias de luz
Nenhuma tem o encanto que tu possuis
Tuas areias, teu céu tão lindo
Tuas sereias sempre sorrindo

Copacabana, princesinha do mar
Pelas manhãs tu és a vida a cantar
E a tardinha o sol poente
Deixa sempre uma saudade na gente

Copacabana o mar eterno cantor
Ao te beijar ficou perdido de amor
E hoje vive a murmurar
Só a ti, Copacabana
Eu hei de amar

Texto publicado em 5 de julho de 2012 no Grupo Rio Antigo.

*Colaborou o Professor  José Maurício Guimarães.  

Ponte dos Marinheiros

Foto da Ponte dos Marinheiros Augusto Malta de 1924
Para facilitar o transporte da comitiva de D. João VI entre a Quinta da Boa Vista e Paço Imperial criou-se uma ponte de madeira, hoje Cidade Nova, na época um enorme pântano, foco de doenças, mosquitos e um cheiro desagradável. Passou a se chamar Ponte dos Marinheiros quando os marinheiros de pequenas embarcações que navegavam pelo charco abasteciam-se de água potável de uma bica pertinho do local, hoje encontra-se a CEDAE e caminhões pipas são abastecidos.
Em 1854 iniciaram-se as obras do canal do Mangue, a maior obra de saneamento do Rio de Janeiro executada no império.
Foto da Ponte dos Marinheiros de 1946
A Ponte dos Marinheiros, que era de madeira, foi reconstruída em pedra e depois asfaltada, resistindo até o Governo de Carlos Lacerda, quando surgiu o conhecido Trevo dos Marinheiros, um notável emaranhado de elevados e viadutos que eliminou os cruzamentos de um dos locais de maior movimento de trânsito da cidade.
Foto Google
Texto publicado em 1 de agosto de 2012 no Grupo Rio Antigo.

LIBERTAS QUE SERA TAMEN



Desde a morte de Tiradentes em 1792 nada mudou por aqui. Polemizo, dizendo que piorou, já que os principais motivos para Inconfidência Mineira foram a corrupção e altas taxas de impostos. 


Com o declínio da atividade da cana de açúcar, Portugal tinha que se mexer para arrecadar em nome da coroa, e a bola da vez foi a capitania de Minas Gerais, um apogeu da mineração que se transformou no centro econômico da colônia. A coroa cobrava um imposto chamado de quinto, que correspondia a 20% do metal extraído e era registrado em "certificados de recolhimento" pelas casas de fundição. Eram obrigados a pagar 100 arrobas anuais (1 arroba equivale a aproximadamente 15 quilogramas), ou seja, 1500 quilos. Como raramente, o quinto não era pago integralmente e os valores não pagos eram acumulativos, Portugal tinha que achar uma maneira de repor esse desfalque e lançou mão de um “artificio” chamado derrama, onde os bens e objetos d’ouro eram confiscados até chegar ao valor devedor. Para piorar mais a situação, o governador da província foi substituído, assumindo o cargo Antônio Oliveira Meneses que logo tratou de fazer aquela chamada “panelinha” favorecendo seus amigos e deixando de fora da “festinha” uma parte da elite local.

Esses fatores foram crucias para Joaquim José da Silva Chavier(Tiradentes), inspirado na independência das colônias estadunidenses e a formação dos Estados Unidos da América, iniciar junto com as elites e lideres religiosos um movimento pela independência daquela província.

Estava armada a insurreição que iria lutar pela instituição da República. Contudo, antes que houvesse a revolução, no dia 15 de março de 1789, Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona delataram o movimento em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. A partir daí, Tiradentes passou a ser procurado. Ele tentou se esconder na casa de um amigo, no Rio de Janeiro, mas foi descoberto no dia 10 de maio. Além dele, outros inconfidentes também foram presos. 

Ao longo de três anos, os inconfidentes aguardaram pelo andamento do seu processo pelo crime de "lesa-majestade". Alguns foram condenados à morte, mas tiveram seu pedido de clemência atendido por D. Maria I. Apenas a sentença de morte de Tiradentes foi mantida. Alguns atribuem a isso o fato de Tiradentes ter assumido toda a responsabilidade pelo movimento e também, por outro lado, por ter uma posição social mais baixa em relação aos demais inconfidentes envolvidos. 

Em uma manhã de sábado, após percorrer uma procissão no centro das ruas do Rio de Janeiro, Tiradentes foi enforcado. Contudo, a execução de Tiradentes, em vez de intimidar a população, acabou despertando ainda mais o sentimento de revolta em relação à dependência do Brasil como metrópole de Portugal.

Passaram-se 220 anos, hoje já somos uma republica, mas os motivos que levaram a Inconfidência Mineira ainda pairam em nosso país. Nós brasileiros trabalhamos 5 meses dos 12 meses do ano para pagar nossos “quintos”. Esse dinheiro não vai mais para a coroa de Portugal, fica aqui mesmo com a “coroa” da Dilma e todos aqueles que colocamos lá para fazer com que esse nosso dinheiro seja revertido em educação, infra-estrutura, saneamento básico, saúde e assim por diante. 

Sim ainda somos um país corrupto e cheio de “panelinhas” como no passado, porem iniciativas como Movimento Brasil Contra a Corrupção(MBCC) que aconteceu hoje em todo território nacional mostra que os jovens querem mudar, mas é apenas um passo de muitos.

É O BRASIL NÃO MUDOU NADA, MAS...
LIBERDADE AINDA QUE TARDIA

Texto publicado em 21 de abril de 2012 no Facebook.

Casa da Flor - São Pedro da Aldeia


Arte não tem idade, raça e classe social.
“-Não faz arte menino.” Culturalmente aprendemos nas broncas dadas por nossos avós que arte não é sinônimo de coisa boa. Felizmente não foi isso que Gabriel Joaquim dos Santos aprendeu e pode colocar em prática o verdadeiro sentido da palavra ARTE.
Gabriel filho de uma índia com um escravo africano, um homem pobre, negro e semi-alfabetizado, começo a criar sua obra aos 31 anos, depois de um sonho onde imaginou um enfeite para embelezar sua casa. Mas como fazer? Desistir do sonho, apagar da memória a visão tão bela que o inconsciente lhe trazia? Como solucionar o problema de não ter recursos para comprar o material necessário, a fim de concretizar aquela visão? Surgiu em sua mente uma ideia que de tão bizarra fez com que muitos parentes e vizinhos passassem a olhá-lo com estranheza no início da tarefa que se dedicou até morrer, 63 anos depois: usar o lixo abandonado nas estradinhas da região, garimpar nesses montes de detritos - de que todos se afastam - cacos de cerâmica, de louça, de vidro, de ladrilhos e de toda uma série de objetos considerados imprestáveis para o uso, tais como velhos bibelôs, lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis... Sabiamente, ele comentava que fez uma casa "do nada" .

Sempre inspirado por sonhos e devaneios, passou a criar flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, que ia fixando dentro e fora de casa. Inventava luminárias com lâmpadas queimadas; nichos para proteção de um osso de baleia e de alguns bibelôs mais bonitos; molduras para retratos fixados à parede; uma estante chamada por ele de "altar dos livros"; bancos e armários de alvenaria, sensualmente aplicados, cobertos de ladrilhos coloridos. Gravava ou moldava com cimento inscrições para assinalar os trabalhos mais significativos.
Hoje a Casa da Flor, fruto do sonho de Gabriel, localizada em São Pedro da Aldeia é reverenciada por arquitetos no mundo todo e considerada uma obra prima da arquitetura espontânea.
Gabriel prova que não precisa ser doutor para criar, ao contrario, um eterno aluno na matéria viver intensamente sem se deixar influenciar pelas criticas e fazer com paixão. Ai naturalmente a ARTE vai acontecer.

Texto publicado em 12 de maio de 2012 no Grupo Rio Antigo.

domingo, 1 de março de 2015

Capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Grajaú



Hoje tive a felicidade de encontrar em sua residência no Grajaú o amigo e professor Arlinei Carvalho que gentilmente doou um montão de livros da sua biblioteca para o Projeto Recicla Leitores


Como sou apaixonado por história e construções antigas uma pequena capela me chamou a atenção e fui logo perguntado que construção era aquela e há quanto tempo ela estava ali. Ele não titubeou e falou que tinha aproximadamente 100 anos e que iria me mandar a historia da construção. Mas não resistir e antes dele me mandar à história fui a luta pesquisar sobre a capela e vou ficar feliz em compartilhar com meus amigos.

Trata-se da capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição localizada na Rua Grajaú nº 27A no bairro do Grajaú construída pelo arquiteto Francisco Antônio Tricárico em 1918, Foi a primeira referência religiosa na área e palco das maiores festas religiosas nos anos 20 até a construção da Igreja Matriz, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Praça Edmundo Rego.

A primeira casa a ser erguida na fundação do bairro do Grajaú em 1914, quando iniciaram os primeiros loteamentos, foi exatamente a do arquiteto Francisco Antônio Tricárico projetada pelo próprio. Tricárico era funcionário da Companhia Brasileira de Imóveis e Construções, construtora que atuou na construção do bairro. Projetou várias casas e construiu a capela no quintal da sua casa para cumprir uma antiga promessa feita ainda na Itália.

De acordo com a minha pesquisa a capela é aberta ao público apenas no dia 8 de dezembro, para missa em homenagem a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, porem meu amigo confirma que todos os dias a capela abre as 16:00 horas para uma breve missa. Em 1966, foi restaurada com o apoio da Associação Internacional Lions Clube.



Texto publicado em 16 de maio de 2012 no Facebook.

Chapéu do Sol



Hoje quando subimos o morro do corcovado e cultuamos a cidade maravilhosa nas sombras dos braços do redentor não imaginamos o propósito de D. Pedro I em abrir uma picada até o cume do morro. Esse morro até o século XVII era chamado de Pináculo da Tentação em alusão a um monte bíblico, foi rebatizado de Corcovado por lembrar uma corcunda. Com uma vista privilegiada da cidade, e o imperador vendo uma forma de proteger de invasores instalou um tipo de sinalizador que funcionava por meio de bandeiras, assim um vigia podia alertar sobre eventuais embarcações entrando no litoral e algum eventual ataque à capital. Para felicidade de todos nós cariocas o imperador não era de um todo “caxias”, também pensava em laser, daí mandou erguer no cume do morro em 1823 um belvedere coberto de sapé. 


Passaram 50 anos e seu filho D. Pedro II também um apaixonado pelo lugar reformou o belvedere que passou a ser chamado de Chapéu do Sol. Em 1882 o imperador concedeu uma autorização para os engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares construírem a primeira via férrea turística do País e a primeira a ser eletrificada. 

O conselheiro Manuel Alves de Araujo quase com um ar de deboche, escreveu no despacho que criou a concessão para estrada de ferro: “- Estrada de Ferro para o Corcovado? Engraçado ! Deferido.”. O que ele não sabia, era que aquela estrada de ferro lançava oportunidade para a criação de um monumento que mais tarde seria considerado uma das 7 maravilhas do mundo moderno. E definitivamente o Mirante do Chapéu do Sol sairia de cena para nosso famoso cartão postal.

Texto publicado em 28 de junho de 2012 no Facebook.

Cemitério Pretos Novos


Em uma casa construída no início do século XVIII, na Rua Pedro Ernesto, 36, na Gamboa, seus donos, Merced e Petruccio, resolveram realizar reformas. Durante as escavações, no ano de 1996, eles acharam um verdadeiro sítio arqueológico enterrado as seus pés.
Embaixo da estrutura do prédio havia um cemitério secular de negros vindos da África, que não resistiam à viagem e morriam antes de serem comercializados - o então desconhecido, Cemitério dos Pretos Novos.
Junto aos entulhos, foram encontrados fragmentos de crânios e ossos humanos dentre artefatos de cerâmica, vidros, metais e outras evidências arqueológicas. Ao comunicar o achado ao Centro Cultural José Bonifácio, situado na redondeza, o assunto foi diretamente transmitido ao Departamento Geral de Patrimônio Cultural, órgão da Secretaria de Cultura, que logo mandou uma equipe de profissionais da Prefeitura e do Instituto de Arqueologia Brasileira para confirmar o potencial histórico.
O local foi transformado em sítio arqueológico e, mais tarde, em Centro Cultural, visando manter viva não só a história da cidade do Rio de Janeiro, como também a do Brasil e da África.

Texto publicado em 22 de maio de 2012 no Grupo Rio Antigo.
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